Festa de São João (Fundamental) & Festa da Lanterna (Jardim)
No ultimo sábado, 21 de maio, tivemos mais um “Sábado Cultural da Festa da Lanterna”. Mesmo com uma manhã bem chuvosa e fria, muitos pais compartilharam deste momento delicioso. Foram algumas horas na escola para entender um pouco mais sobre a visão antroposófica e sobre o que as crianças vivenciam em sala nesta época do ano, nos permitindo aprender e dar significado a cada atividade (história, ritmo, músicas, rodas, alimentos, cantinho de época). Fazendo ser assim possível estender um pouco dessa vivência para nossas casas e nos fazendo refletir e evoluir na nossa tarefa mais elevada – a educação pelo exemplo.
Na prática, é um dia de estudo direcionado para os adultos, as crianças são bem vindas para brincar, e ficam sob os cuidados de educadores. Elas ainda não têm necessidade de explicação e significação das vivênicas trabalhadas em aula, como os adultos precisam.
Com o final do outono, quando nossas noites começam a ficar mais longas, a natureza e o próprio homem dão início a um impulso de contração e interiorização, vivenciamos no Jardim a iluminada “Festa da Lanterna” e, no Fundamental, a “Festa de São João”, reverenciando o convite do frio de introspecção e busca de nossa luz interior.
No nosso “Sábado Cultural da Festa da Lanterna”, começamos o dia com uma roda rítmica, onde ouvimos um verso e cantamos uma música de época. Fomos então convidados a tomar um delicioso café da manhã com os itens trazidos de casa – momento para conhecer ou rever outros pais, contar para as crianças como seria o dia.
Os pais então subiram para a sala de aula, enquanto as crianças foram convidadas a fazer massinha já que o dia não estava muito ensolarado.
As professoras começaram então a nos contar sobre a importância da vivência em épocas e porque isso é parte curricular e justamente nos fizeram esse convite, ou chamada: a vivenciarmos a época de forma coerente. E, para que isso aconteça, precisamos entender o que cada época traz e o que pede de nós. Então, pra que possamos vivenciar esta época de luz mais intensamente, que tal entender primeiro o que é a "Festa de São João" e a "Festa da Lanterna"?
Festa de São João
Ao observar a estação em que estamos, vemos os frutos caindo maduros no chão, o vento e o frio que nos cumprimentam, a terra toda se prepara para uma nova fase. Começamos a tirar os cachecóis e agasalhos para nos aquecer. E o inverno que vem chegando trazendo a qualidade do recolhimento, da introspecção e do inspirar. Há mais de dois mil anos atrás, no hemisfério norte, no ponto mais alto do solstício de inverno, nasceu Jesus. E no oposto, no dia mais alto do solstício de verão, nasceu João Batista.
João Batista é o singular oposto de Cristo, embora ambos tenham percorrido juntos o caminho exemplar de amadurecimento da humanidade. João percorreu seu caminho sempre sozinho, instrospectivo, enquanto Cristo caminhou como coletivo. Eles eram diferentes também em outros aspectos, enquanto Jesus nasceu pobre, João Batista nasceu em família abastada e sacerdotal. A mãe de João, Isabel, já tinha idade avançada para engravidar, enquanto Maria era muito jovem. João Batista teve uma vida sacerdotal, e estudou durante muitos anos, foi inclusive nomeado o “Mestre da Justiça”, quanto Jesus era nomeado o “Mestro do Amor”. Após anos de estudo e reconhecimento, João se afastou de tudo para viver no deserto e buscar maior contato consigo e o mundo espiritual. Nos momentos de batismo, João Batista abre mão de sua grandeza e de seu reconhecimento entre os homens, para que Jesus cresça, e seja seguido e reconhecido.
O ponto central é o espiritual, pois São João Batista é o precursor de Cristo, aquele que "prepara o caminho", que "endireita as suas veredas". O símbolo maior do precursor é o fogo dentro da escuridão, o fogo que ilumina e aquece. É por esse motivo que a fogueira é um elemento tão especial numa Festa de São João. A professora propõe uma reflexão a respeito do deserto no qual João Batista atravessa fisicamente, e nos explica que hoje cada um de nós pode atravessar o seu deserto, embora agora seja um deserto anímico, da alma, em que cada indivíduo defronta com suas próprias dificuldades e busca trabalhá-las e mais, encontrar-se. Com esse caminho crístico, de importantes personalidades para o desenvolvimento da humanidade, temos exemplos de qualidades grandiosas a se seguir – proteger o mais fraco, respeitar o igual e reverenciar o mundo espiritual.
No nosso encontro, nos foram explicadas também as simbologias dos rituais da "Festa Junina". Começando pelo ato de “acender a fogueira”, pois não é fácil atravessar o deserto e precisamos de ter nossa chama interna acesa para esse desafio. Devemos buscar deixar nossa luz interior sempre acesa buscando sermos pessoas melhores. Outro ponto importante é dançar a quadrilha, pois dançar fortifica a alma. As danças nos fortalecem e ajudam a combater nossos medos (perceba que guerreiros sempre dançam antes da guerra).
Festa da Lanterna
Aqui, dentro do primeiro setênio, a busca é pela luz interior. O convite é para o olhar interno, para tentarmos ser também essa luz para o outro. A base da época é o conto europeu “A menina da Lanterna”, que mostra o caminho do homem em busca de sua luz interior quando passa por momentos difíceis, como a menina da lanterna, quando tem a sua luz apagada.
Cada elemento da história contada e da música cantada representam primeiro nossos instintos básicos. Primeiro o urso (representando nossos medos), o ouriço (representando nossa curiosidade). Depois surgem as três partes que formam o homem: o menino da bola ( o sentir), o sapateiro (o querer), a fiandeira (pensamento). E todos negam ajuda a menina, que só depois de adormecer é que tem sua vela novamente acesa. Volta então pelo caminho ajudando à todos, em um gesto de doação e amadurecimento, mostrando a nossa capacidade de transformação.
No Jardim, essa época é trabalhada já na chegada com os pais, com as músicas da roda de bom dia, com o cantinho de época de cada sala, trazendo a cada semana novos elementos da história da laterna e da época – bandeirinhas, fogueira, estrelas e luz – da história e músicas contadas na roda de sala, da história que guia a aula de euritima, dos alimentos oferecidos. Tudo de forma muito sutil, por meio de imagens, ajudando a despertar o que já existe dentro das crianças – a luz interna. Por isso, a necessidade de repetição das histórias, das músicas, das rodas.
Finalizadas as explicações, as professoras reforçaram a necessidade de vivenciarmos essa época com muita verdade e coerência. Buscando trazer para casa também alguns desses elementos – seja no cantinho de época, seja em histórias contas e músicas cantadas, mas especialmente, na conscientização do que estamos vivenciando.
Dividimos as tarefas do teatro da Lanterna, que será apresentado no dia, e fomos para a sala com estações para confecção das lanternas de papel que serão utilizadas no dia da festa.
Gratidão imensa aos professores! Deu para sentir o carinho e cuidado deles em cada detalhe. A cada pai que pode se juntar ao grupo e ir lá aprender. E a essa pedagogia que nos convida, diariamente, a pensar e as nos tornar pessoas melhores. São oportunidades como essa que nos une, estreita laços e possibilita o desenvolvimento de habilidades e qualidades, nos ajudando a juntar o que é muito humano ao que é muito divino.
Agora, aproveitando, segue um breve comunicado à todos: nossa escola cresceu, nosso Jardim floresceu e, por isso, a “Festa da Lanterna” e a “Festa de São João” irão ocorrer em datas distintas. A “Festa da Lanterna” será aberta somente aos pais e funcionários da nossa Escola e irá ocorrer no dia 11/06 na Unidade Gramadão. Já a “Festa de São João” será aberta ao publico externo e irá ocorrer no dia 25/06 na Unidade Engordadouro.
Uma época quentinha, repleta de amor e gratidão à todos!
Escola Waldorf Angelim
Redação: Brena Zanon | Edição: Maira Engelmann | Revisão: Profa. Anna Teresa | Imagens: Fotógrafo Pedro Amora
Redação: Brena Zanon | Edição: Maira Engelmann | Revisão: Profa. Anna Teresa | Imagens: Fotógrafo Pedro Amora




















