sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Entrei num jardim com flores… ( sobre nossa Festa da Primavera)


Numa linda manhã de sol, entre pássaros e borboletas, nós, professores, pais e alunos da família Angelim nos encontramos com muita alegria no dia 24 de setembro para juntos celebrarmos a Primavera!

Comemorar esta estação, além de agradecer por tudo o que a natureza nos presenteia: o colorido e o perfume das flores, o canto dos passarinhos, os frutos...e, acima de tudo, admirar a força de cada semente!

Imaginemos o esforço que ela teve de brotar, crescer, florescer, dar frutos. Não é divino ?

Se não fosse esse o motivo, que sentido teríamos passarmos por um arco de flores, preparado por pais e professores...

Iniciamos nossa manhã com um lindo verso e canções, para nos dar  boas-vindas....






Preparamos lindas coroas de flores para nos embelezarmos para a grande festa. Nos confraternizamos com um delicioso lanche trazido por cada família, em uma mesa farta... 







Reunimos força, vontade e veneração para o plantio de árvores no canteiro da rua em frente à escola. Mesmo que não sejamos nós a colher os frutos, as sombras... mas tivemos uma atitude linda com nossas crianças e com certeza elas carregarão isso para sempre dentro de si.











Nos reunimos novamente em roda para cantarmos lindas canções de Primavera, manifestando toda nossa alegria e gratidão.








Enfim, finalizamos nossa festa com o emocionante teatro da Linda Rosa Juvenil, que nos ensina a termos a alegria da Linda Rosa, a coragem do príncipe para enfrentarmos todos os nossos desafios, nossos dragões, para crescermos e sermos bons frutos.









Em nome de toda a Escola Angelim, agradeço a força, a vontade, o entusiasmo de todos para que esta linda festa acontecesse.




Gratidão por fazer parte desta família!

Viva a Primavera!
Viva São Micael!

Professora Elza


 Por trás das câmeras -  Nós, da comissão de comunicação,  queríamos deixar registrado aqui um pouco mais do amor que existe aqui... Pedimos para a Professora Elza escrever um texto, relatando um pouco da festa sobre o ponto de vista dela. E aí, ela chega com esse papel almaço aqui embaixo, escrito a mão, com essa letra super caprichada! Não é muiiito amor!!!? Nosso coração derreteu!


Nosso agradecimento especial a Linda Rosa Juvenil desse ano, Marcela, acompanhada do seu Belo Rei, o Diego, pais da nossa querida Vitoria, que foram corajosamente incríveis na encenação!

Ah, e os registros fotográficos da festa,  pura poesia, são de um dos nosso pais, o Pedro Amora, da Pedro Amora Fotografia Criativa, que a gente super recomenda!



sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Curso - A Pedagogia Waldorf e os Desafios da Atualidade

Vivemos em um tempo de grandes avanços tecnológicos, realidade virtual, onde diversos estímulos sensoriais, como excesso de velocidade, excesso de solicitação visual e sonora, uso precoce e descomedido dos meios eletrônicos, intervêm nos mais variados âmbitos do nosso cotidiano, inclusive nas nossas relações.
E nós, como pais, ficamos com uma angustia -  Como olhar para as crianças e inseri-las nesse contexto? Como entender o que e necessidade real, genuína e natural delas? Como protege-las, sem exclui-las?  Vamos deixa-las em uma bolha?  E seu eu não for waldorf o suficiente? Como a antroposofia e a pedagogia waldorf podem nos ajudar nesse caminho?
Foi em busca dessas respostas que convidamos o Instituto de Desenvolvimento Waldorf, de Sao Paulo, para um curso aqui em nossa escola. Sera dia 17 de setembro, das 9h as 17h, com Glauce Kalisch, pedagoga e professora waldorf. Ela irá  falar sobre os cuidados essenciais das crianças durante o primeiro setênio e os fundamentos da Pedagogia Waldorf como ferramenta para vivermos os desafios de nossa época.  

 As inscrições vão ate dia 12 de setembro, pelo email estudos.angelim@gmail.com,  e as vagas são limitadas! Vamos aprender juntos?

PS - Temos um minimo de 20 inscritos, se não alcançarmos esse numero, o curso não sera realizado.


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Como falar com as criancas

Renata Ignácio Keller




Quanto menor é a criança, menos ela obedece ao adulto. Podemos dizer mil vezes a uma criança: “Faça isto, fique quieta, faça aquilo?, e é como se nada tivéssemos dito. A criança pequena não age porque nós mandamos, porque quer ser uma menina boazinha”, mas de forma totalmente impulsiva inconsciente.

Conforme as forças formativas estão trabalhando em seu interior, em um movimento rítmico, a criança age para fora, ora pulando, ora deitando no chão, ora juntando pedrinhas no bolso e, na mesma hora, já despejando tudo no chão. “Não faça isso, filhinha!”, “Pare de pular, Joãozinho!”.
Os adultos gritam muitas vezes irritados com essa atividade constante e com sua impotência em
comandar os pequeninos como querem. O fato é que as crianças não têm capacidade de compreender o porquê do permitido e do proibido.

Mas, como é que nós podemos trazer ordem a esse caos? Que podemos fazer para que as crianças
arrumem seus brinquedos, sentem-se para as refeições ou entrem em casa depois de brincar lá fora? A
palavra mágica é “imitação”. Nada podemos conseguir com as crianças pequenas, principalmente com as menores de quatro anos, senão dando o exemplo, fazendo antes para que a criança possa nos imitar.

Se eu pegar um pauzinho e colocá-lo na cesta, a criança que está ao meu lado vai imitar esse gesto
imediatamente. Se eu ainda acompanhar esses gestos com músicas ou versos rítmicos, então a criança
vai imitar-me com mais prazer.

Com as crianças acima de três ou quatro anos, já podemos conversar de maneira diferente. Uma
pequena parte daquela força formativa, que permeava por inteiro o corpo da criança antes dos três anos, libertou-se do físico e vive agora em sua alma, como fantasia infantil. Nessa idade, de três a cinco anos, a criança brinca realmente, mas sem persistir muito tempo na mesma brincadeira. Seu brincar é leve, dançando, transformando tudo. Um pauzinho pode ser uma boneca que ela abraça carinhosamente; logo depois, já joga no chão porque viu outra coisa mais interessante: uma casca de coco que lhe serve de chapéu; ela é soldado e anda contando, marchando pela sala. Quando tira o coco da cabeça, ela acha pedrinhas que põe em sua panelinha, para fazer comida para seus filhinhos, e assim por diante. A fantasia da criança não conhece limites, pinta um quadro atrás do outro, conta uma história. Se quisermos conversar com uma criança desta idade, temos de entrar no seu mundo movimentado. E isso às vezes é muito difícil, pois nossa cabeça já está dura, não temos idéias....

Perto da fantasia das crianças, nossas idéias parecem uma pedra cinzenta ao lado de uma borboleta. Mas, com crianças dessa idade, temos de pôr nossa cabeça em movimento, temos de desenvolver nossa fantasia. Os melhores professores para isso são as próprias crianças.

Por exemplo: um grupo de crianças montou uma gruta no meio de uma floresta, com galhos de árvores e pedras. No meio da floresta, as crianças puseram muitos bichinhos de madeira e, na gruta, esconderam os anões. Chegou a hora de arrumar. Então, em vez de dizermos: “Crianças, vamos arrumar, está na hora!”, vamos falar assim: “Você, Gabriel, é o pastor que leva todos os animais para o estábulo. Já está de noite, eles precisam ir embora para descansar. E os anões já trabalharam muito dentro da montanha, vamos levá-los para sua casa. Agora, temos que chamar um lenhador. Você, José, quer ser o lenhador que põe toda esta madeira no seu caminhão?”. E assim, sem interromper a brincadeira das crianças, podemos levá-las a fazer aquilo que precisa ser feito para seguir o ritmo do dia, neste caso, arrumar.

Outro exemplo: todas as crianças estão sentadas numa rocha no chão, ouvindo histórias, mas Carlos está fazendo caretas para um, beliscando o outro, rindo à toa. Dizemos então para ele: “Que macaquinho está aqui dentro da sala! Vá depressa até a porta e solte esse macaquinho, para ele poder pular lá na floresta. Aí você traz o Carlos, tá? Ele pode ficar aqui na roda, mas o macaquinho, não!”. Vamos com o Carlos até a porta, pedimos para que o macaco volte para a floresta e voltamos com o Carlos para a roda.

Temos de aprender a falar em imagens. Podemos aprender isso da nossa própria linguagem, se
observarmos um pouco quantas imagens usamos inconscientemente. Outra fonte de imagens são os contos de fadas: eles não descrevem acontecimentos reais, mas são imagens que espelham o que se passa dentro da alma humana. O príncipe e a princesa, o lenhador, a madrasta, o caçador, são imagens para qualidades de nossa alma. Todas as pessoas têm dentro de si uma princesa ou príncipe e todos conhecem também o dragão, aquela força escura, explosiva, descontrolada, inconsciente, que ás vezes ameaça devorar a princesa, nosso ideal mais puro, mais íntimo. Também conhecemos o que significa perder-se na floresta e não achar o caminho de casa. As crianças compreendem estas imagens de uma forma direta. Eles vivem em imagens. Podemos, então, dizer para um menino que chuta, bate, esperneia, descontroladamente: “Pedro, segure as rédeas, seu cavalo está disparado. Você precisa segurar mais seu cavalo, sendo um bom cavaleiro”. Esta imagem vai tocá-lo
muito mais profundamente do que se eu disser simplesmente: “Pare com isto! Bater é feio”, etc.